domingo, 12 de junho de 2011

MULHERES NO OUTONO


Três estações já se passaram após a germinação, e muito se produziu, após a florada quando exalava perfumes e exibia a beleza da primavera.
 Encantos, ilusões, poder, e a fantasia de quem tudo pode inclusive ser feliz plenamente, como se o universo num ato de magia mobilizasse todas as forças para atender o chamado de uma alma individual.
É o retrato de uma mulher em plena juventude. A primavera da vida. Se a vida eternizasse esta fase, a mulher certamente explodiria em suas próprias chamas.
 A sabedoria, porém, para conservar a vida, utiliza toda esta energia para germinar novas sementes e neste doar-se a um novo ser, deixa para traz a ilusão de quem tudo sabe, para humildemente dedicar-se a nova vida que de si brotou.
E é no calor do verão que seu crescimento acontece. Quando percebe a expansão de sua existência em todos os segmentos. A semente que um dia germinou já está florescendo e consegue identificar o perfume, que um dia lhe pertenceu, em suas crias. A continuação de sua espécie está garantida.
E dá lugar, então ao  outono, onde o por do sol, exibe as mais belas paisagens que rapidamente vai mudando o cenário ao apresentar num curto espaço de tempo as lembranças de uma vida que apesar de marcar as últimas fases de um projeto, traz a esperança de um novo dia.
É um momento lindo, que nos ínstiga o desejo de imobilizá-lo para eterna contemplação!... 

Autora do texto: Maria do Carmo de Santana
Psicóloga Clínica Junguiana
CRP-12/08351   - fone 3026-1370       

quarta-feira, 8 de junho de 2011

GOTAS DE ORVALHO

É no frescor da manhã
Que repusas sobre a folha
Por seres tão generosa
Fizeste esta bela escolha

Matar a sede da planta
Logo no seu despertar
Este tão nobre caráter
Também vai alimentar

Pois todos que te apreciam
Se nutrem ao te fitar
Enquanto irrigas a folha
Recebes o brilho do olhar

Tão singelo é este ato
Desprender-se por inteira
Para entregar-se a folha
Humilde desta maneira.

Oh linda gota de orvalho
Que engrandece o amanhecer
Só para te dar bom dia,
Já vale a pena viver

domingo, 5 de junho de 2011

Constrastes

O mundo do qual fazemos parte, nós seres humanos, se equilibra, buscando o centro entre duas polaridades que se distanciam em pontos extremos por suas características contrastantes.
 São muitos os contrastes com os quais convivemos: quente e frio, perto e longe, claro e escuro, fraco e forte, alto e baixo, pequeno e grande, interno e externo, masculino e feminino.
Ambos são necessários para a manutenção da espécie humana, porém o equilíbrio só se concretiza no ato do encontro exatamente no ponto central, onde ambos conseguem integrar as duas faces de uma só realidade. É quando se edifica e se completa um objeto.
Especialmente, tratando-se de um homem ou de uma mulher, talvez os maiores contrastes, estejam enraizados em sua própria constituição: corpo e alma. Enquanto um busca o externo, o movimento do corpo a relação com os objetos, a sobrevivência da carne, a outra parte busca o conhecimento de si mesmo, a vida psíquica as necessidades e os anseios da alma.
E nessa busca de integração entre as duas faces do mesmo ser vive-se as maiores aventuras ou desventuras de uma vida.
Percorremos caminhos, embora muitas vezes controversos aos nossos objetivos mais íntimos, mas sempre na tentativa de unir os opostos.
A grande distância entre o nosso mundo interior e o exterior manifesto pelo nosso cotidiano, estimula a procura pelo outro que supostamente possa oferecer a solução deste enigma.
Dedicamos uma existência em busca da plenitude que levaria a realização do ser sem nos darmos conta que esta conquista cessaria o principal motivo de nos mantermos vivos: a busca da auto-realizarão